
À porta, hesito. Transpassar o umbral sem acompanhante é encarar a solidão do mundo vazio. Sozinho, eu não tenho máscaras, não ando a me esconder de mim. Sou obrigado a me encarar; a fitar meus olhos melindrosos no espelho; a enfrentar meus medos; a nutrir o ódio crescente de mim. Não gosto de voltar para o apartamento sozinho, mas hoje não me sinto bem para as curtições do pecado, para a festa da luxúria, para o culto a Baco, para saldar a besta que reside em mim e destrói, sem pena, clemência ou misericórdia a tola que se despiria ao meu furor.
Posso enganar a todos, mas não me engano. Hoje não estou bem. Sem uísque com os amigos, sem cerveja na praia, sem vodka no bar. Eu deveria desligar esta melancolia e me afogar com uma garrafa de algo forte, mas mergulhar na ebriedade, como estou hoje, seria o suicídio da pouca moral. Não. Hoje não estou para farras, não estou para festas, não estou para bares, para namoradas, para putas, para ninguém. Hoje eu sou dela, única e exclusivamente dela, a minha tristeza escondida em tantas canalhices.
Que bom que voltou a escrever.
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