
Aqui tudo é um mergulho no tempo. Eu gosto. Gosto do cheiro da umidade, gosto do amarelado da lâmpada, gosto da sensação de voltar à infância. A cortina pesada está fechada, encobrindo a janela. Abro-a com delicadeza. Lá fora tudo transmite paz e tranquilidade. Por que deixei a fazenda? Por que deixei Minas? Por que deixei minha paz? Quando jovens não damos o exato valor àquilo que temos. Eu queria mais, eu queria o mundo... eu quis tanto, e não tive nada. Iludida pelas grandes possibilidades de um Rio de Janeiro que não existiu para mim. O piano não me levou a nenhum lugar, apenas ao mágico mundo dos meus sonhos tolos. Tocar era meu prazer, minha forma de gritar aos homens a sensibilidade da mulher, tocar era tudo o que me fazia feliz até conhecer a infelicidade de amar. Quero de volta a minha alegria triste; quero a minha música da alma enternecendo os corações aflitos, quero encontrar o que perdi em mim. Eu preciso. Preciso me encontrar e não há lugar melhor do que voltar aonde tudo começou. Ao velho piano de minha doce avó, aos livros do meu avô, aos beijos de minha mãe, aos abraços de meu pai. Preciso encontrar a menina sonhadora que um dia arrumou as malas e decidiu tentar carreira numa cidade estranha. Ela não está morta, apenas perdida num canto escuro da minha história.
Yes, you can!
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